O governo se comprometeu a lançar o Simples
Doméstico, que reunirá numa mesma guia todas as contribuições que devem ser
pagas pelos patrões de empregados domésticos, antes do prazo máximo de 4 meses
estipulado na lei sancionada na segunda-feira, 1, pela presidente Dilma
Rousseff.
Os patrões, porém, continuarão com o mesmo tempo de 120 dias para cumprir as
novas regras, mesmo que antes desse prazo seja possível imprimir, na página www.esocial.gov.br, a guia correspondente
a 28% do salário do trabalhador doméstico, o que garantirá a ele direitos
trabalhistas e previdenciários.
Do total que deve ser pago todo mês, 20% são de responsabilidade do patrão. O
valor corresponde a 8% para o INSS (nos próximos quatro meses, a alíquota
continua de 12%); 8% para o FGTS; 3,2% para um fundo de indenização em caso de
demissão e 0,8% para seguro contra acidente. O empregador terá de acrescentar
mais 8%, da contribuição do trabalhador para o INSS, e descontar o valor do
salário dele.
Todos os valores a serem recolhidos serão calculados automaticamente com base
nas informações fornecidas pelo empregador no site do governo. Em seguida, será
gerado o boleto para o pagamento na rede bancária. Na contribuição também será
calculado o imposto de renda que deve ser retido na fonte. As contribuições não
serão retroativas.
O ministro do Trabalho, Manoel Dias, informou nesta terça-feira, 3, que o
conselho curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) vai tratar do
assunto na próxima reunião, marcada para a semana que vem. A Caixa esclareceu
que os patrões já podem fazer o recolhimento separado do FGTS para os
empregados domésticos no site, embora não seja obrigatório. Segundo o banco
estatal, responsável pela administração do fundo, o volume de arrecadação do
FGTS quase dobrou depois da aprovação, pelo Congresso, em 2013, da Emenda à
Constituição, conhecida como PEC das Domésticas, que consolidou os direitos da
categoria. Atualmente, mais de 170 mil trabalhadores domésticos de todo o País
têm depositado o valor correspondente ao FGTS.
A nova guia unificada, batizada de Simples Doméstico, deve ser definida em ato
conjunto pelos ministérios do Trabalho e da Previdência Social. Os órgãos vão
decidir a forma como será a apuração, o recolhimento e a distribuição dos
recursos recolhidos pelos patrões.
A PEC das Domésticas também permitiu aos empregadores parcelarem os débitos com
o INSS vencidos até 30 de abril de 2013, data da publicação da Emenda
Constitucional nº 72. No entanto, não há exigência para que isso seja feito,
mas tem desconto nos juros e multas para o empregador que quiser colocar a
dívida em dia.
Os valores recolhidos por meio do desconto mensal de 3,2% do salário - que
substitui a multa de 40% nos casos de demissão sem justa causa - serão
direcionados para uma conta vinculada do FGTS diferente daquela nas quais são
créditos os descontos do fundo (8%).
O saque desses recursos poderá ser feito pelo trabalhador nos casos de demissão
sem justa causa. Na hipótese de dispensa por justa causa ou pedido, término do
contrato de trabalho por prazo determinado, aposentadoria ou falecimento do
trabalhador, os valores depositados nesse fundo voltarão para o patrão. Quando
a culpa pela demissão é recíproca, o montante será dividido pelo empregador e
trabalhador.
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